É tradicional. Na virada do ano com a minha família sempre há um parente alterado que grita: “Adeus ano velho, feliz ano novo...” e desata a cantar, até desafinar e rir. Mas, a verdade é que 2011 não disse adeus à 0hr do dia primeiro de janeiro. Você ainda vai preencher muita data errada. Querendo ou não, o espírito de ano velho ainda está no ar. E pra perder isso e pisar, enfim, em 2012, enterremos o ano velho com três álbuns de 2011 que você não deveria ter deixado passar.


CEREMONIALS – Florence + the Machine


Florence Welch é realmente incrível, e eu só confirmei isso em 2011. Já tinha visto muita gente vomitar arco-íris quando ouvia esse nome, mas, sinceramente, da banda Florence + The Machine eu só conhecia o álbum “Lungs” (2009) e pra mim nem bom era. Certo que o Lungs tem Cosmic Love e The dog days are over, que eu considerava picos no CD, mas não eram dignas de tanto louvor. No entanto, em 2011, foi lançado o Ceremonials, segundo álbum da banda. Eu resolvi dar uma conferida e então... surpresa!

No encarte digital do disco, Florence Welch (que encabeça a banda) diz que é atraída pela ideia de afogamento, de ser encoberta por algo, algo que não seja nem bom, nem ruim. E, então, ela tenta recriar na música uma sensação de afogamento que sentiu na infância. Isso permeia pelo menos duas músicas do disco, porque Never Let Me Go (a melhor música do álbum) trata especificamente dessa ideia da água. É uma música suicida, mas fantástica. What the Water Gave Me, que é single do CD, também usa a água e o tema suicida. A música é claramente baseada no suicídio de Virgina Woolf, escritora que se matou por depressão, enchendo os bolsos de pedra e entrando no rio Ouse, no Reino Unido.

Do disco, ainda é bom destacar No Light, No Light, que tem nos primeiros segundos de música uma confissão sensacional e Remain Nameless, que é singular no álbum. Passei a gostar dessa pegada de ritual que a banda tem. Da aura celestial que a harpa e a voz da Florence aliada aos vocais por trás passam. Depois do Ceremonials, até penso em ouvir melhor o Lungs e quem sabe morder a língua.

No Light, No Light


THE HEAD AND THE HEART – The Head and The Heart


Esses eu conheci por uma seleção de músicas de algum festival que a iTunes Store liberou de graça no ano passado. Trata-se de um grupo de músicos que usam do violino ao piano, e tocam um folk ora alegre, ora melancólico. O primeiro álbum, intitulado também The Head and The Heart, tem dez músicas, eu destaco Lost in my Mind, Down in the valley e Ghost, que ainda ganharam uma versão alternativa num disco gravado especialmente pra iTunes Store, que vale a pena ouvir porque as músicas ficaram ainda melhores.

Lost in my mind


THE RIP TIDE – Beirut


Beirut, meus caros. O retorno maestral da banda com The Rip Tide é o último álbum de 2011 que você não deveria ter deixado passar. Mas antes, um porém. Acho que não deve ser surpresa pra quem acompanha esse blog que eu, Hobbes, tenho paixão pelo que Zach Condon faz como músico. Então, aos desavisados, o que eu escrevo abaixo é extremamente passional. Cuidado.

De certa forma, não me surpreendi quando ouvi pela primeira vez o álbum (lançado oficialmente em agosto, mas que vazou bem antes). Nam. A primeira faixa de The Rip Tide era exatamente o que eu queria ouvir de um álbum novo da banda. E quando eu terminei de ouvir A Candle’s Fire (só ela) sussurrei “uau”. Isso porque estava tudo ali, toda a essência da banda. Logo na primeira música. Até a clássica Elephant Gun, nos trompetes. E isso foi um alivio, porque depois do March of the Zapotec eu esperava coisas bem diferentes. E, então, vem Santa Fé e eu disse “rá!”. Com um pé no eletrônico March of the Zapotec e quase nenhum na raiz orgânica da banda, Santa Fé era o que eu tinha receio de ouvir, mas acabei gostando.

De East Harlem à Payne’s Bay, o CD é um passeio. Daí vem The Rip Tide. Tenho 2449 músicas na minha biblioteca no iTunes. Muitas delas são tristes, mas essa é mais que isso. É real. Dolorosamente real. The Rip Tide é uma música cruel e covarde. Imagine-a como uma onda, uma correnteza forte. Vem e quebra violentamente contra você, mas vai, volta pro mar, calma, te arrastando. As notas, infinitas de tanto que se prolongam, vão tirando seu fôlego, te fazendo contorcer a contragosto, arrastando de volta pro mar. E os sons vão sumindo, a música acaba, sorrateira, genial e solene. Pouquíssimas músicas que eu ouvi são tão fortes.

Vagabond, sétima faixa, é a mais boêmia das músicas. É fabulosa e, antes que perceba, você vai batucar em algum lugar com ritmo da banda ao fundo. Gosto disso nesse álbum. Dois extremos bem próximos. The Rip Tide e Vagabond juntas são o ponto de equilíbrio do CD.

The Rip Tide

Vagabond


Acho que esses três álbuns já valem por todas as indicações musicais que eu deixei de passar aqui no último semestre. Agora, é só esperar o que 2012 vai trazer... e vai ser grande, porque The Killers vem aí, meus amigos. E eu nem me seguro mais nessa pele de tigre. Mas antes, vamos ver o que eu deixei passar. Me digam, aos que comentarem, que CDs/EPs vocês acham que ninguém deveria ter deixado de ouvir em 2011?