Para pa pa pá. Não tenha medo do meu texto, eu não vou te morder   

      "Nove de nós vieram para cá. Somos parecidos com vocês. Falamos como vocês. Vivemos entre vocês. Mas não somos vocês. Temos poderes com os quais vocês só podem sonhar. Somos mais fortes e mais rápidos que qualquer coisa que já viram. Somos os super-heróis que vocês idolatram nos filmes — mas somos reais.

      Nosso plano era crescer, treinar, nos tornar mais poderosos e nos unir, para então enfrentá-los. Porém, eles nos encontraram antes. E começaram a nos caçar. Agora, estamos fugindo.

    O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo."

Empolgante, não? Foi o que eu achei. Assim que ouvi falar do livro fiquei muito curioso pra saber como a história se desenvolveria. Quem eram os outros números? O que aconteceu na historia desse povo? Enfim, fui com muita sede ao pote.

Eu sou o número 4 é um livro da Editora Intrínseca, com 352 páginas, e conta, a priori, a história de 9 extraterrestres muito parecidos com humanos que fogem desesperadamente do seu planeta de origem, Lorien, porque este está sendo invadido e destruído por uma outra raça alienígena. Esses nove lorienos escolhem a terra para se esconder, e como a resenha do próprio livro diz,  foram encontrados e vão sendo exterminados um por um, numa ordem numérica que não pode ser quebrada. Esse primeiro livro da série –sim, você vai ouvir falar de novo disso tudo – trata especificamente do número 4. Pittacus Lore, o autor, que na verdade é um pseudônimo de dois caras que escrevem, tem um jeito sucinto de dizer tudo em poucas palavras, num laconismo digno de Esparta.

Como eu já disse, fui com muita sede ao pote, e eu tenho que registrar aqui, me decepcionei profundamente com o livro. A história pareceu muito boa na essência, e inclusive nas páginas, quando a idéia principal é retomada. Mas tem muito, muito, muito clichê. Sabe aquela história batida de garoto novato que se apaixona pela garota bonita namorada do valentão? E o nerd que é zoado e jogado dentro do armário? E aquele drama bobo que diz “não devo usar meus poderes super-do-caramba senão vou revelar o quão #4dão eu sou”? Ah não. Demais pra mim. Eu pensei em desistir da leitura, só não o fiz porque precisava confirmar minhas expectativas de qualidade.

Outra coisa. Tem um comentário de algum jornal/revista do mundo que diz que fãs de sci-fi vão adorar. Vou pessoalmente mandar um e-mail pra lá perguntando onde está o sci-fi, porque eu não achei. Tá muito mais pra uma mistura de X-Men com Capitão Planeta, vide os poderes água-fogo-terra-ar-amor dos lorienos. Outro já afirma um “suspense genuíno”, e eu me perguntei “mas como se é tudo tão previsível?”.

Enfim.

Eu fui além e assisti o filme, e eu vos digo, o filme é melhor que o livro. Não que o filme seja bom (lol), a história me pareceu bem melhor trabalhada na tela, mas ainda assim apelativa. Pra você ver, tem um elenco de pessoas todas muito lindas e um novo galanzinho a la Robert Pattinson rolando pelos sets de filmagem. E as meninas ficam loucas e se matam pra comprar o livro e ver o filme. Blá blá blá. Mídia, mídia, mídia. Se você tem menos de 12 anos talvez goste do filme. Meu irmão tem 10. Ele odiou. E olha que ele adora ETs e essa coisa de espaço e Buzz Lightyear. (“Hobbes, você esta profundamente chato hoje”, eu sei galera, mas é que não dá).


Daí você me chuta e pergunta: “Mas não tem absolutamente nada que preste nessa história toda?” Não!*eu grito*. A trilha sonora do filme é muuito boa. Vai de Kings of Leon até Adele. Músicas de boa qualidade e que valem a pena.

Bom, vai sair a continuação do livro em breve, e se me perguntarem se eu vou ler eu vou dizer que sim. Ainda espero salvação na trama, como eu disse, a premissa é boa. Talvez o Pittacus só tenha errado a mão nesse. Esperança é a última que morre.

Agora você aí que também leu o livro e/ou viu o filme, não se sinta ofendido com a minha opinião. Ela se restringe a mim e ponto. Se você gostou da história, manifeste-se aí embaixo nos comentários. Seu ponto de vista é tão (e até mais) importante que esse meu aqui em cima. 

           É isso. Um abraço de tigre do Hobbes.